Tecnologias para a Indústria 4.0

António César Galhardi (*)

A Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial  engloba algumas tecnologias consideradas o alicerce para automação e troca de dados. Utiliza conceitos de Sistemas Ciber-físicos (CPS – Cyber Physical System); Internet das coisas (IoT – Internet of Things) e Computação em Nuvem (Cloud Computing).

Explicando melhor cada um deles:

  • O sistema Ciber-físicos é composto por elementos computacionais colaborativos com o intuito de controlar entidades físicas. Anteriormente aos sistemas ciber-físicos ocorreram os sistemas embarcados, e encontraram aplicações em áreas diversas, tais como aeroespacial, automotiva, processos químicos, infraestrutura civil, energia, saúde, aplicações voltadas ao consumidor etc. Os Sistemas Embarcados apresentam maior foco em elementos computacionais, enquanto os sistemas ciber-físicos enfatizam as ligações entre os elementos computacionais e elementos físicos.
  • A Internet das Coisas é uma rede de objetos físicos (veículos, prédios e outros dotados de tecnologia embarcada, sensores e conexão com a rede) capaz de reunir e de transmitir dados. É uma extensão da internet atual que possibilita que objetos, como por exemplo uma geladeira, se conectem com a Internet, uma vez que possuam capacidade computacional e de comunicação. A conexão com a Internet possibilita, em primeiro lugar, controlar remotamente os objetos e, em segundo lugar, que os próprios objetos sejam usados como provedores de serviços. Assim essas novas capacidades abrem caminho a inúmeras possibilidades, como suporte a outras áreas, tais como: automação industrial, domótica (automação predial), medicina etc. Ao se incorporar em objetos do cotidiano, as “etiquetas inteligentes” (RFID – Radio Frequency IDentification), eles objetos podem ser identificados e controlados por outros equipamentos e não por seres humanos.  Se, por exemplo: os remédios,  fossem equipados com dispositivos de identificação e conectados à Internet, saberíamos exatamente onde os encontrar e quantos estariam disponíveis. A ocasional falta deles passaria a ser coisa do passado.
  • A Computação em Nuvem representa especificamente a disponibilidade, sob demanda, de recursos do sistema de computador, especialmente armazenamento de dados, e capacidade de processamento, sem o gerenciamento ativo direto do usuário. O termo geralmente é usado para descrever Centros de Dados disponíveis para usuários da Internet. Esses Centros de Dados geralmente têm funções distribuídas em vários locais dos servidores centrais. O armazenamento de dados é feito em serviços que poderão ser acessados de qualquer lugar do mundo, a qualquer hora, sem a necessidade de instalação de programasou de armazenar dados. O acesso a programas, serviços e arquivos é remoto, por meio de conexões com a Internet.

Assim, a alusão à Indústria 4.0 nos remete à visão de “Fábricas Inteligentes” com as suas estruturas modulares, os sistemas ciber-físicos monitoram os processos físicos, criam uma cópia virtual do mundo físico e tomam decisões descentralizadas. Com a Internet das Coisas, os sistemas ciber-físicos comunicam e cooperam entre si e com os humanos em tempo real. E por meio da computação em nuvem, ambos os serviços internos e intraorganizacionais são oferecidos e utilizados por todos os participantes da cadeia de valor.

Estas novas tecnologias trazem inúmeras oportunidades para a agregação de valor aos clientes e para o aumento de produtividade dos processos.

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António César Galhardi, é doutor em Engenharia Mecânica pela UNICAMP, PhD em Business Administration pela Flórida Christian University – USA.  Diretor Administrativo  da Associação dos Engenheiros de Jundiaí, professor permanente no Mestrado Profissional em Gestão e Tecnologia de Sistemas Produtivos do Centro Paula Souza, professor da Fatec Jundiaí.