Dados móveis e a Trajetória Tecnológica do 5G.

António César Galhardi (*)

Os dados móveis são a base da tecnologia de comunicação, criada no início dos anos de 1980, e são separadas em gerações, de acordo com suas características tecnológicas. Cada geração tem apresentado grande evolução com relação à troca de informações, no que diz respeito a quantidade de dados, velocidade e confiabilidade das operações.

A primeira geração – 1G iniciou a transmissão de dados entre mobiles, de forma analógica e com foco na conexão de voz. Por ser a precursora, era pouco segura e não apresentava a funcionalidade de roaming (ativação da linha fora da área de cobertura) e necessitava utilizar uma segunda rede.

Nos anos de 1990 surge a tecnologia digital na telefonia, em substituição à analógica e dá-se início a segunda geração – 2G. Era baseada no GSM (Global System for Mobile Communications) e promoveu um grande avanço, com a possibilidade de usar pela primeira vez o SMS (Short Message Service), um serviço de envio de mensagens entre celulares, permitia enviar mensagens de até 160 caracteres a um baixo custo; e seguido do MMS (Multimedia Messaging Service), uma evolução do SMS, com possibilidade de envio de mensagens mais longas, áudios e imagens.

Na década seguinte surge o 3G, que representou uma grande evolução na conexão entre pessoas, pois possibilitou o envio de mensagens de voz, a realização de vídeo chamadas e o acesso à Internet. Por ser uma rede mais rápida que a 2G, ela popularizou os smartphones em função de sua tecnologia revolucionária.

A quarta geração e atual, o 4G, surgiu no início da década de 2010. Essa rede, além de ser mais rápida que o 3G, apresentou uma grande diferença em questão de prioridades; ou seja: ela prioriza o tráfego de dados e não o de chamadas. Ela facilita o compartilhamento de áudios, textos, vídeos e fotos na Internet, promovendo a maior conexão entre as pessoas. Caracteriza-se pela mitigação da perda de qualidade do sinal, e queda de rendimento enquanto o usuário se desloca, e permitiu a ascensão dos serviços de streaming.

Finalmente, está surgindo o 5G, que já representa uma drástica, porém necessária mudança, com relação a forma com que consumimos Internet. Além da evidente a necessidade de conexão entre as pessoas, surge também a necessidade de conexão com objetos. As redes 5G estão chegando e prometem mudar de maneira definitiva a rotina, inclusive no meio industrial. O 5G permitirá que as máquinas “conversem entre si”, popularizando inovações tecnológicas.

Assim, uma das principais diferenças entre o 5G para a indústria e as gerações anteriores de redes celulares está relacionado ao fato, de que o foco do 5G está na comunicação máquina-máquina e na Internet das Coisas (IoT). “Em particular, o 5G suporta comunicação com confiabilidade sem precedentes e latências (intervalos de tempo entre o início e o final do envio de dados) muito baixas”,

Essa tecnologia abre caminho para uma era da produção industrial, a “Indústria 4.0”. Também conhecida como 4ª Revolução Industrial.

O uso do 5G para a indústria visa melhorar significativamente a flexibilidade, versatilidade, usabilidade e eficiência das futuras fábricas inteligentes. A Indústria 4.0  oferece integração vertical e horizontal contínua em toda a cadeia de valor. Mas, inicialmente o que será possível se perceber, é uma mudança significativa na velocidade de transmissão de dados.

Com a contínua implantação do 5G será possível um grande avanço com as coisas ao nosso redor,   permitindo que objetos, casas e até mesmo cidades inteligentes se tornem cada vez mais comuns. Aos poucos essa tecnologia está sendo implementada pelo mundo. Alguns países como China, Inglaterra e Coreia do Sul, já se encontram bem avançadas na implantação do 5G em seus territórios.

O Brasil criou seu primeiro laboratório de 5G, no Parque Tecnológico de Brasília (Biotic), com a finalidade de fazer testes com a tecnologia e testar a funcionalidade de se conectar com  vários aparelhos de forma simultânea em uma mesma rede.

Assim, o que se espera é tornar realidade a Indústria 4.0. A alta velocidade de conexão, aliada à baixa latência e a integração de inúmeras máquinas farão com que o controle de todo tipo de sistema seja facilitado, otimizando as tecnologias digitais. 

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António César Galhardi, é doutor em Engenharia Mecânica pela UNICAMP, PhD em Business Administration pela Flórida Christian University – USA.  Diretor Administrativo   da Associação dos Engenheiros de Jundiaí, professor permanente no Mestrado Profissional em Gestão e Tecnologia de Sistemas Produtivos do Centro Paula Souza, professor da Fatec Jundiaí.